Um grande e respeitável jovem amigo, filósofo e musico comentou :
Gostei, principalmente, das cinco primeiras. Também acho muito complicada a identidade se reduzir à tarefa profissional desempenhada. Li, em Jankélévitch, autor que estudo, a expressão "vocação humana". Seria mais agradável, e também mais pleno, se nos bastasse nos identificar como "seres humanos". Como "aqueles que somos", se isto não for uma heresia... Sem predicados... O episódio da Transfiguração de Cristo me fez pensar neste tema, há algum tempo. "Tu és meu filho bem-amado". Ser filho de Deus, criatura, e não carpinteiro, Nazareno, brasileiro, músico, ou o que quer que seja. Nossa identidade é mais ampla... Só não concordei muito com o item 8. O hobby é uma continuidade de nossas atividades mais lúdicas e pode ser até mesmo o que nos traz certo equilíbrio emocional. Já experimentei isso. Como dizem uns amigos franceses, "muita impressão, sem o correspondente de expressão, gera depressão". E o hobby muitas vezes permite esse canal de expressão tão necessário... Um abraço!
Então :
oi, "Marcelo". Nada deve ser visto radicalmente, essa a origem dos fundamentalismos. A questão do hobby, pode sim ser uma válvula de escape, mas é fato que muitos setornam escravos do seu hobby esquecendo de viver a vida.
Eu acho, amigo, que as particularidades, as diferenças são essenciais para aquilo que somos, e as identificações por categorias, sejam profissionais, sejam outros...ia dizer "determinantes" mas achei melhor " particularizantes" ( essa palavra nem deve existir) são o que constituem nossa trajetória, as provas que escolhemos, vencidas ou por vencer, lições a aprender, mas o que é se não essencial, pelo menos necessário ao que somos, ao que pretendemos ser, é como nos construímos, nesse plano, mas principalmente nos níveis incogniscíveis - ainda.
Ainda não tive oportunidade de conhecer Jankélévitch, e pelo que você tem falado, ainda não estou pronta para esse mestre, há de chegar o tempo, mas sempre acho muito interessantes os conceitos que você me traz, da obra dele. Me fez pensar naqueles quadros administrativos, tipo organograma, ou alguma forma de algoritmo, onde somos sim, a personalidade em que estamos, com aqueles traços que dizem - medico-clinico-homeopata-c
E a minha grande dificuldade é aceitar o participar na Integração deste Todo Divino, que todas as religiões que conheço, pregam. Me desapegar de minha personalidade. Não me tornar Deusa. Em que persista a culpa de anos de treinamento e doutrinação cristã sobre aquela questão dos dissidentes, lá no principio da historia, que deu origem ao mito de Lúcifer. E Lúcifer é Luz, Mas você, amigo e defensor do Noturno, há de me entender um pouquinho, a luz sem as sombras ? LUZ ... e as cores, são participações da Luz e não manifestação do Todo. Integradas, elas desaparecem, em si. Como posso desejar isso, a falta de tons ? Como existir a musica sem as diferenças entre os sons ? Se tudo integrar-se a um unico som ?
E comentarios :
Antonio Patricio
A unidade de cada um com o todo é aquilo que sempre aconteceu, está acontecendo e continuará a acontecer a despeito de nossa vontade e consciência, enquanto perdemos tempo tentando achar respostas pras perguntas "quem sou/somos", "de onde venho/vimos" e "para onde vou/vamos", como se isto fosse possível, como se fosse possível identificar o sujeito dessas três frases. Elas têm sujeito indeterminado, não sujeito oculto. Nosso erro é, então, gramatical, e não teológico ou filosófico. Existe o mundo, feito de partes que são, entre muitas outras, nós. Não existe "nós" de um lado e o "mundo exceto nós" de outro. Isso que chamamos "nós" são ordinários corpos animais vivos, que servem de montaria para certo tipo de consciência, caracterizado por ter aquilo que o Monty Phyton chama de "aquela voz que fala na sua cabeça quando você lê coisas". E pronto.

2 comentários:
Eu fixei a minha atenção na última. Quem acreditar que Noé construiu sozinho a Arca não merece o ar que respira. Então não se vê logo que os animais deram uma patinha?
Em princípio viver é algo simples, muito simples mesmo.
Cadinho RoCo
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